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1 de out de 2016

Nesse jogo, não ganha o melhor jogador.


Não há mais nada a perder.  É chegada a hora de colocar as cartas na mesa e terminar logo esse jogo. Chega de frustração e palavras ao vento. Não mais pistas opacas com interpretações errôneas. O sinal já está fraco pra ver quem se permite primeiro e fala de uma vez a decisão. A minha está tomada, a sua não?

Algumas coisas a gente acaba ignorando com o passar do tempo. Na primeira vez machuca tanto que você sufoca e tem a impressão de que não vai resistir. Chora, fica pra baixo, e as coisas parecem perder um pouco a razão. Estranho ver tudo sem cor, não é? Na segunda a dor é forte, mas você lembra que já passou por isso antes e aguentou. Esse absurdo acalenta. Isso acolhe. É aquele suspiro pesado que acaba confortando. Na terceira, vamos confessar, continua machucando. É aquela pedrinha que está lá no sapato que dói, mas que você consegue continuar andando com ela. Você acabou se acostumando com aquele incômodo. É preguiça de tirar? Seja na terceira, quarta, quinta ou sexta vez. Não importa a colocação, vai continuar machucando. 

Talvez mude a intensidade, porém, meu amigo, a dorzinha vai continuar lá. Não se acostume com o que é ruim. Para de se conformar, para de empurrar com a barriga, para de achar que do nada uma mágica vai fazer tudo dar certo. Esperneia, fala alto, coloca tuas vontades pra fora e se faça ser notado. Não deu certo? Liberte-se. Dói pra tirar, contudo, tenha certeza, a dor é bem maior se deixar.

Resolvi que cansei. Chega uma hora que não adianta mais tentar segurar quando tudo já está caindo. Não adianta continuar o esforço quando não se tem em vista a probabilidade de um bom resultado. Não adianta alavancar as forças para um trabalho árduo onde o resultado não se pode conseguir sozinho. Não adianta cobrir os problemas quando eles estão gritando para serem expostos e resolvidos. Queria cair. Soltei. Abandono as cartas, levanto da mesa e desisto de jogar. Nesse jogo, não ganha o melhor jogador.

31 de ago de 2016

Resenha: O ano em que disse sim


Título: O ano em que disse sim
Autor(a): Shonda Rhimes
Editora: Best Seller
Número de páginas: 256
Sinopse: Um livro motivador da aclamada e premiada criadora e produtora executiva dos sucessos televisivos Grey’s Anatomy, Private Practice e Scandal, e produtora executiva de How to Get Away with Murder. Você nunca diz sim para nada. Foram essas seis palavras, ditas pela irmã de Shonda durante uma ceia de Ação de Graças, que levaram a autora a repensar a maneira como estava levando sua vida. Apesar da timidez e introversão, Shonda decidiu encarar o desafio de passar um ano dizendo “sim” para as oportunidades que surgiam. Os “sins” iam desde cuidar melhor de sua saúde até aceitar convites para participar de talk shows e discursos em público. Além disso, Shonda deu um difícil passo: dizer sim ao amor próprio e ao seu empoderamento. Em O Ano em que disse sim, Shonda Rhimes relata, com muito bom humor, os detalhes sobre sua vida pessoal, profissional e como mergulhar de cabeça no “Ano do Sim” transformou ambas e oferece ao leitor a motivação necessária para fazer o mesmo em sua vida.
 
''Dizer ''não'' foi uma forma de desaparecer. Dizer ''não'' foi minha própria forma silenciosa de suicídio. O que é uma loucura. Por que não quero morrer.'' 

Tá aí um livro que eu quis logo de cara. Exatamente aquele livro que você bate o olho e diz ''preciso ler''. Posso chegar agora e dizer que esse foi um tiro mais que certeiro e abranger aquele famoso clichê de que não fui eu que escolhi o livro, foi ele que me escolheu - era exatamente o que eu tinha que ler, apareceu no momento certo.


Shonda sempre fui uma pessoa muito introvertida, muito quieta em seu 'mundo' escrevendo histórias, sempre isolada em eventos socias e tendo ataques de pânico antes de qualquer entrevista. Dessas pessoas que estava a cada momento com uma desculpa na ponta da língua para fugir de qualquer que fosse o convite. Discursar? Jamais. Entrevista? Não mesmo. Isso e aquilo, lá estava Shonda fugindo de tudo.

''Obrigada a todos as mulheres neste salão.
Obrigada a todas as mulheres que nunca chegaram a este salão.
E obrigada a todas as mulheres que, espero, preencherão um salão cem vezes deste tamanho depois que todas tivermos partido.
Você são todas uma inspiração.'' 
  
Entendam, dizer ''não'' para Shonda era quase como uma arma de defesa, era uma forma de mantê-la na sua zona de conforto e protegida das surpresas da vida. Contudo, vejam bem, essa pequena palavrinha não a libertava de tais momentos, pelo contrário, foi quando se deu oportunidade de mudar seu próprio roteiro que ela conheceu a verdadeira liberdade.

A escrita da autora é maravilhosa e faz a leitura fluir muito rápido - você se vê interagindo diretamente com ela e é difícil não se identificar em ter passado alguma situação com aquele mesmo contexto. Quantas vezes negamos algo por receio do que poderia vir a ocorrer ou até mesmo por não saber lidar com aquela situação. 

''Você nunca diz ''sim'' para nada''. Essas seis palavrinhas viraram a cabeça de Shonda e a deixaram louca - ainda mais por saber que elas estavam coberta de razão. Shonda começou a se permitir e isso é fantástico porque faz a abordagem de temas importantíssimos no livro. 

A leitura é bem humorada, sem sombra de dúvidas. Sei que muita gente já olha para esse estilo de livro com um pé atrás e aqui vai uma dica: Não façam isso. ''O ano em que disse sim'' a transformou e convida os leitores a se transformarem também. É motivador, não perca a chance. Diga sim!
''Então danço para esquecer os problemas. Danço em minha montanha, sob meu sol, como se minha vida dependesse disso. Porque depende.''

18 de jul de 2016

Resenha: Uma mulher livre


Título: Uma mulher livre
Autor(a): Danielle Steel
Editora: Record
Número de páginas: 294
Sinopse: Dos deslumbrantes salões de baile de Manhattan para os horrores da Primeira Guerra Mundial, Danielle Steel nos leva para um mundo fascinante de uma jovem de espírito indomável. Nascida numa vida de luxo e glamour, Annabelle Worthington carrega o sobrenome, e a nobreza, de uma das famílias mais influentes de Nova York. Até que, num dia cinzento de abril, o Titanic afunda, levando junto o seu mundo. Seus pais e seu irmão mais velho estavam na viagem inaugural do majestoso navio, e apenas sua mãe sobreviveu. Para tentar confortar seu coração, Annabelle se voluntaria para trabalhar em um hospital, ajudando a cuidar dos enfermos, onde descobre sua verdadeira vocação. E, quando um homem nobre a pede em casamento, ela acredita que, enfim, voltará a ter dias felizes. Porém, novamente, o destino lhe prega uma peça, colocando-a no centro de um escândalo. Para fugir da tristeza que sua vida se tornou, ela vai para a Europa trabalhar no front da Primeira Guerra Mundial, ajudando a salvar os feridos. Na França, no auge do conflito, Annabelle consegue realizar um grande sonho: estudar medicina. O problema é que, mais uma vez, sua fé é colocada à prova, e ela precisará tentar retirar forças de uma grande tragédia se quiser renascer para uma nova vida. Com uma narrativa de tirar o fôlego e repleta de detalhes históricos, Danielle Steel nos apresenta uma de suas personagens mais fascinantes e singulares, e sua história inspiradora de dignidade, coragem e amor pela vida.
 

Hey, como estão? Sentindo as férias chegando ao fim? Já estou. Trago agora a resenha de um livro que me frustrou demais - uma história desenvolvida de uma forma completamente diferente daquela que eu imaginei. E vou dizer, não foi nada fácil.

Annabelle é uma jovem que tinha uma vida onde nada tinha a reclamar. Possuía uma família carinhosa e unida, uma ótima condição financeira e problemas eram coisas raras de aparecer. E quando apareciam, logo se viam sendo resolvidos. Tudo lindo e no seu devido lugar. 

A narrativa demorou para chamar a minha atenção. O começo da história apresenta uma narrativa cansativa, com excesso de detalhes desnecessários e aquilo tornava a leitura um tanto monótona. Muito detalhe mesmo. Ia virando as páginas procurando mais fervor e acabava dando de cara com o nada - pelo fato de me deparar com a mesmice. Esclarecendo, sou louca por um detalhe extra na história, porém, isso para tornar a narrativa mais bem construída e não colocar um detalhe só por colocar.

Nascida em uma das famílias mais influentes, viu sua vida ruir quando um acidente tira a vida de seu pai e seu irmão. Sabe quando um livro traz um enredo com problemas em cima de problemas? É esse. Tudo de ruim começou a acontecer na vida da personagem e nada nunca parecia dar certo. Frustrante.
''Sei que sou bem mais velho que você. Poderia ser seu pai. Mas não quero ser. Quero ser seu marido, e prometo cuidar bem de você pra sempre.''

''Uma mulher livre'' embora tenha sido uma leitura que não me agradou, trouxe consigo assuntos importantes a serem debatidos - como a sociedade extremamente machista, violência, preconceito e tudo mais.

Em todo caso, quero falar um ponto positivo que realmente vale a pena ser abordado. Annabelle é uma personagem decidida e independente de si. Mesmo com o costume das mulheres da época, ela se mostra a frente do tempo. Podemos ver claramente o quanto ela busca se adaptar às mudanças e dificuldades que lhe são impostas. Parece até que a vida está sempre lhe testando, e, quando você pensa que conseguiram derrubá-la, eis que ela se ergue de novo e mostra a mulher corajosa e dona de si que se tornou.

O leitor tem que estar ciente de que essa é uma leitura tensa, cheia de dramas e complicações. Momentos de calmaria são poucos por aqui. A autora tinha a intenção de fazer a Annabelle sofrer e fez. Junto com a Belle, também sofre o leitor.

''A decisão é sua. O que quero dizer desde o último verão é que estou apaixonado por você. Não quero estragar nossa amizade ou assustá-la. Mas em algum momento me apaixonei por você, Annabelle. Acho que nos damos muito bem juntos, e não posso ficar solteiro para sempre. Nunca conheci uma mulher que tenha me feito querer casar. Mas não posso pensar em base melhor para o casamento do que a amizade, e é justamente o que temos. Então eu gostaria de pedir que me dê a honra de se casar comigo.''

Conheciam a obra?  

16 de jul de 2016

Resenha: No limite do desejo


Título: No limite do desejo
Autor(a): Katie McGarry
Editora: Verus
Número de páginas: 350
Sinopse: Haley é campeã de kickboxing, mas, após enfrentar uma tragédia, jurou nunca mais pôr os pés no ringue. Até o dia em que o cara em quem ela não consegue parar de pensar aceita uma luta de MMA em homenagem a ela. De repente, Haley tem de treinar West Young. Cheio de atitude, West é tudo o que Haley prometeu a si mesma evitar. Ainda assim, ele não vai durar cinco minutos no ringue sem a ajuda dela. West está escondendo um grande segredo de Haley, sobre quem ele realmente é. Mas ajudá-la lutar por ela é uma chance para a redenção. Ele não pode mudar o passado, mas talvez possa mudar o futuro de Haley. Haley e West combinaram de manter o relacionamento estritamente dentro do ringue. Mas, conforme uma ligação inesperada se forma entre eles e o desejo chega ao limite, eles terão de enfrentar seus medos mais obscuros e descobrir se vale a pena lutar pelo amor.
 
''Estou apaixonado por você. Estou apaixonado por você e não sei como fazer você se sentir melhor. Estou apaixonado por você e não devia estar. Estou apaixonado por você e, quando descobrir quem sou, você não vai me amar. Estou apaixonado por você e sempre ferro com quem me ama de volta.''
Okay, não é segredo nenhum que eu estava super louca pra ler esse livro - que como já era de se esperar, é um sucesso. Antes mesmo de começar a abranger a respeito da história, vale logo ressaltar agora no começo que é um enredo que retrata tantos assuntos importantes, que o leitor obviamente tem que observá-lo como um gênero muito além do romance.

Haley é uma campeã de kickboxing que acabou abandonando a vida dentro dos ringues depois de passar por um momento trágico. Ela é o tipo de garota que está destroçada por dentro. Como se já não bastasse esse problema, sua vida ainda é recheada de uma série de acontecimentos que só fazem levá-la a crer que as coisas nunca dariam certo.

Perdida. As coisas nunca parecem dar certo para a mocinha e a tão famosa luz no fim do túnel também não é fácil de achar. Mas sabe uma das melhores coisas nessa personagem? Embora encontre-se, literalmente falando, no meio de um caos, ela não é de se fazer de coitadinha e ficar esperando pena dos demais que ficam à sua volta. Cheia de problemas, bate de frente com cada um deles e conta apenas com si mesma para enfrentá-los.

Quando fugia de caras que queriam roubar os remédios do seu pai, seu caminho cruza de forma inusitada com West Young - onde num momento para livrá-la de um problema acaba criando um maior. A verdade é que West também convive com seus próprios demônios e são dois personagens passando por um período de tantas dificuldades que posso dizer que ambos juntos fazem tudo entrar em combustão.


''Escuto a respiração dele, sinto o movimento do peito e me concentro na delicadeza dos dedos segurando os meus. Minha mente vaga, e não vivo mais em um sótão, a escuridão não me atormenta mais com meus medos. Abrigada, aquecida e protegida pelos braços fortes, durmo.''

West vai lutar uma luta de MMA por ela e se Haley não lhe treinar, o garoto não vai durar nem cinco minutos. O relacionamento dos dois vai muito além do ringue, tal coisa ela não imaginava ter que lidar. A escrita da autora é muito boa, sem detalhes desnecessários para cansar a leitura, ela coloca o ponto certo para ambientar cada situação.

A leitura em determinados momentos me dava raiva, por achar que a personagem estava sendo um tanto egoísta, em outros por estar cansada de tanta dramatização. Ultimamente, a maioria das histórias que venho lendo é a mocinha quem mais coloca empecilhos para o relacionamento e o não querer achar uma solução ou uma brecha já estava enchendo o meu saco. Haley, mulher, vou te dar umas sacudidas.

O livro é o quarto volume da série 'No limite', mas são histórias independentes. Claro que é bem legal se você ler as outras obras, mas todas elas podem ser lidas foram de ordem que não vai influenciar na leitura. Já conheciam? Leram? O que acharam?
 

''Isso é tudo que somos? Ações e reações contínuas? Não temos nenhum controle sobre nosso futuro? Um papelzinho-cor-de-rosa e perdemos a casa... E eu perco meu pai? Uma decisão de namorar o cara errado e perco Jax e Kaden? Um passo em falso na calçada e meu destino se enrosca no de um estranho? Se isso é verdade, a vida é um jogo patético e doentio.''

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7 de jul de 2016

Resenha: A geografia de nós dois


Título: A geografia de nós dois
Autor(a): Jennifer E. Smithspan
Editora: Galera
Número de páginas: 272
Sinopse: Lucy mora no vigésimo quarto andar. Owen, no subsolo... E é a meio caminho que ambos se encontram - presos em um elevador, entre dois pisos de um prédio de luxo em Nova York. A cidade está às escuras graças a um blecaute. E entre sorvetes derretidos, caos no trânsito, estrelas e confissões, eles descobrem muitas coisas em comum. Mas logo a geografia os separa. E somos convidados a refletir... Onde mora o amor? E pode esse sentimento resistir à distância? Em A Geografia de Nós Dois, Jennifer E. Smith cria tramas cheias de experiências, filosofia e verdade. 

Onde mora o amor?
E pode esse sentimento resistir à distância? Owen e Lucy estão prestes a testar a teoria de que, mesmo longe dos olhos, alguém especial jamais deixa seu coração...
 
  ''Owen era como um de seus livros, ainda inacabado e melhor compreendido no lugar e hora certos. Mal podia esperar para ler o resto.''

Hey, gente! Como estão? Tá aí um ótimo livro para sair daquela ressaca literária. Livro leve, sem grandes tensões e extremamente fofo. Isso, fofo é uma palavra bem certa para defini-lo. O leitor vai se deparar com dois jovens que estão prestes a ''testar a teoria de que, mesmo longe dos olhos, alguém especial jamais deixa seu coração''. Não é que a teoria estava certa? Não é um livro que te arranque lágrimas, nem um pouco perto disso, é o tipo de leitura que te faz dar boas risadas e prestar atenção nos detalhes das coisas mais simples. Como eu já disse anteriormente, fofo.

Lucy e Owen moram no mesmo prédio, mas nunca se falaram. A primeira conversa a surgir entre esses adolescentes se dá quando um blecaute toma conta da cidade e ambos se encontram sozinhos presos dentro de um elevador. Nada de ficar maldando as coisas, okay? 

Lucy está sozinha em casa devido às constantes viagens dos pais - viagens estas que a mesma nunca está inclusa. Owen passa por um momento difícil, tentando cuidar do pai que ainda está tentado superar a morte da sua mãe. Conversas, brincadeiras e escuridão - literalmente falando - surge uma ligação entre os dois, contudo, como nem tudo são flores, a geografia aparece para tentar interferir. 

''Você é totalmente doida. Estamos presos em um elevador quente e abafado, talvez no fim do oxigênio. Estamos pendurados por um cabo que com certeza é mais fino que meu pulso. Seus pais estão sabe-lá-onde, e o meu, em Coney Island. E, se ninguém veio buscar a gente até agora, é bem provável que já tenham se esquecido totalmente da nossa existência. Então, sério, como você ainda consegue ser tão otimista?''

Tive a impressão de que, embora com 272 páginas, não se passou muito tempo na história, sabe? Antes mesmo de abordar mais a respeito do relacionamento de Lucy e Owen, é de extrema importância salientar o relacionamento familiar. Tem que haver mais conversa, mais compreensão e vemos uma evolução muita prazerosa quando tal coisa acontece.

''Talvez. Nunca sabemos a resposta até fazer a pergunta.''

Se você acha que vai encontrar adolescente chatos: Esqueça! Owen e Lucy são jovens extremamente maduros para a sua idade e que possuem até muito em comum. O leitor rapidamente se vê conectado com a história, a autora sabe brilhantemente criar diálogos simples e verdadeiros - e isso é uma das coisas que mais chamam a nossa atenção.

Uma leitura que mostra que, quando se quer, não tem geografia certa que separe. Mesmo cada um em um canto, eram cartões postais com ''Queria que você estivesse aqui'' que fazia o coração vibrar.  Já ouviram aquela frase de que ''Não há distância para o que mora do lado de dentro''? Se encaixa bem. Por falar em distância, diminue logo essa que tá entre você e esse livro e começa a ler.

Ah, eu não poderia deixar de terminar essa resenha com um dos meus quotes preferidos. Olha só e vê se não deixa com gostinho de quero mais. Enjoy:

''- É, quero dizer, qual a pior coisa que se pode dizer a alguém que não está em uma praia linda?
- ''Queria que você estivesse aqui.'' - Owen bateu com os dedos em uma imagem da Grécia, presa mais para baixo - Tipo, qual é, né? Se as pessoas realmente quisessem que você estivesse lá, teriam convidado logo de uma vez, não? Pensando bem, é até um pouco cruel. Devia estar escrito ''Grécia: onde ninguém está muito chateado por você não estar aqui''.'' 
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16 de jun de 2016

Resenha: A era de ouro do pornô

Título: A era do ouro pornô
Autor(a): Zeka Sixx
Editora: Multifoco
Número de páginas: 160
Sinopse: Max tem vinte e nove anos e mora sozinho em um apartamento em Porto Alegre. Faz bicos como tradutor e sonha em ser escritor, enquanto passa os dias bebendo, esperando o fim de um bloqueio criativo que o aflige há três anos. Você já leu essa história milhares de vezes, certo? Não exatamente. "A Era de Ouro do Pornô", primeiro romance de Zeka Sixx, autor do livro de contos "O Caminho dos Excessos" (Edição do Autor, 2015), parte de uma premissa aparentemente batida para se revelar uma fábula maldita, encharcada em álcool, sexo, cultura pop e niilismo. Mais do que Max, o anti-herói central, é a cidade de Porto Alegre, com seus habitantes - do sexo feminino, em especial -, o verdadeiro personagem do romance. O enredo se desdobra como uma montanha-russa, indo do sonho ao pesadelo num virar de página. "A Era de Ouro do Pornô" é uma sátira a uma geração que colocou sobre seus próprios ombros a necessidade de ser criativamente relevante.
 
''Enlaço meus dedos nos dela. Ela sorri. Não há mais volta. A vida é boa demais quando não somos exigentes. Game over.''

Olá, pessoas! Como estão? Trago agora a resenha de um livro que havia me deixado intrigada desde o começo. Certos livros aguçam a nossa curiosidade e nos fazem abri-los sem saber o que esperar deles, foi exatamente o que aconteceu aqui - aquela completa surpresa.

Max mora sozinho e ao auge de seus vinte e nove anos sonha em ser escritor - fato este que está repleto de dificuldade, tendo em vista que o mesmo se encontra com um enorme bloqueio criativo. Deseja escrever, escrever, mas nada sai. Que chato isso, não é? 

Max é aquele tipo de personagem desligado com a vida, sabe? Desligado no sentido de não se importar muito com o amanhã. Ele vive da forma que julgar mais conveniente, sem ligar para a imagem que está passando. Aqui não é trabalhado um típico papel de personagem perfeitinho, como estamos acostumados a ver. Pelo contrário, Max é o oposto disso e não vê problema algum com tal fato.


''Essa gigantesca artéria que se conecta aos órgãos genitais da cidade, entupida de carros, de merda, de porra seca, de putas tristes, putas pobres e putas filhas da puta, que agora observo enquanto termino a primeira cerveja do dia.''

Confesso que em certas cenas eu me pegava rindo da situação, me proporcionou uma leitura divertida. A rotina do personagem é trabalhada de uma forma que, embora já tenhamos uma ideia do que irá ocorrer, no sentido de um contexto geral, o leitor ainda sempre se vê surpreendido com o que acontece. 

Vejo Max como um viciado em sexo. Sua vida parece girar em torno disso. Como o próprio personagem cita, sexo é sua liberdade e sua prisão ao mesmo tempo. Tive a impressão de que ele acorda e o ''preciso transar'' é tão natural quanto piscar os olhos e respirar. Sexo, sexo e mais sexo. É disso que Max sempre precisa, é isso que ele sempre procura, parece ser disso que ele é feito.


''O que acontece a seguir é previsível; estava escrito nas estrelas, como diz o clichê. Ela conta que trabalha no Dominó há dois anos. Eu bebo. Ela diz que o pai acha que ela trabalha com promoção de eventos. Eu rio. Ela fala que me achou ''um gatinho'' e pergunta se quero ''fazer uma festa''. Eu aceito.

Algo que adorei e acho importante dar ênfase foi a objetividade do autor. Sua escrita é fácil, prática de ser lida. O autor tem o seu foco e trabalha nele com ousadia sem precisar enrolar para desenvolver sua trama. Se tem uma coisa que essa obra não tem é enrolação - o que é ótimo.

É um tipo de obra para quem tem a mente aberta, o vocabulário é seco - tenho certeza que vai espantar muita gente. Não me espantou. Para o tipo de vida que Max escolheu para si, não poderia ter tido uma abordagem diferente para expressá-lo.  

Não deixando a desejar, o autor traz um desfecho que nunca seria esperado, fazendo o leitor se indagar o que mais aconteceu na vida daquele personagem. Tem um gosto de quero mais. Max não tem lá a rotina mais agradável do mundo, contudo, você se vê preso na leitura e no dia-a-dia daquele indivíduo que não faz a mínima questão de agradar ninguém. Ele é o que é, quer você goste ou não. 

''A tradução que entreguei a Januário não valia mais do que cinquenta reais; por outro lado, sua filha tampouco é uma foda digna de cem reais, de modo que estamos, poeticamente, quites.''

Já conheciam a obra? 
Sobre o autor:
 Zeka Sixx é gaúcho, tem trinta e três anos e mora em Porto Alegre/RS. É advogado, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, DJ nas horas vagas e estreou na literatura em 2015, com o livro de contos "O Caminho dos Excessos". "A Era de Ouro do Pornô" (2016, Editora Multifoco) é sua estreia na narrativa longa.

Você também pode entrar em contato com o autor pelo e-mail:
zekasixx@gmail.com 

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